Mão Vermelha

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Durante séculos, após o colapso do Rhestilor, as secas e poeirentas Montanhas Wyrm Fumacento foram o lar de dezenas de tribos goblinóides. Embora os viajantes fossem obrigados a contornar suas colinas infestadas de goblins por uma margem bastante generosa, em geral, as tribos da Wyrm Fumacento, esgotadas pelas batalhas em torno da queda de Rhestilor, não representavam nenhuma ameaça significativa para as vilas e cidades próximas, a não ser por ocasionais invasões sangrentas.

No entanto, nas profundezas da montanha, estava algo escondido que proferiria a desgraça – um antigo Santuário dedicado a Tiamat, a Rainha dos Dragões Malignos. Criado centenas de anos atrás para servir como o esconderijo de um culto desprezível de adoradores da deusa dragão, o santuário fora finalmente purificado por um grupo de heróis da cidade de Rhest. Durante vários séculos, o complexo ficou vazio. Então, há oitenta anos, Azarr Kul, o jovem guerreiro hobgoblin meio-dragão, descobriu o santuário abandonado e ficou deslumbrado pelos ensinamentos de Tiamat que leu nas paredes do mesmo.

Azarr Kul abandonou Maglubiyet, a divindade tradicional dos goblinóides, e dedicou-se a liderar o resto do seu povo a adorar Tiamat, transformando-se nos próximos 20 anos em um poderoso sacerdote guerreiro de Tiamat.

No início de sua ascensão ao poder, ele forjou uma aliança com seu pai, o dragão azul Tyrgarun. Ajudado por este poderoso aliado, Azarr Kul converteu sua tribo inteira em adoradores fanáticos de Tiamat, incorporou outras que haviam caído sob seu domínio, e a chamou Kulkor Zhul.

O hobgolbin meio-dragão começou, então, a arquitetar seus planos para conquistar as terras além das montanhas. Dedicando-se à Rainha dos Dragões Malignos com o fanatismo dos recém-convertidos, os membros da Kulkor Zhul cresceram forte, mais fortes do que qualquer tribo que Wyrm Fumacento havia abrigado. Adotando o estandarte da Mão Vermelha, um antigo símbolo do culto à Tiamat, Azarr Kul criou uma casta elite de sacerdotes guerreiros, monges, e campeões privilegiados do dragão, para então liderar soberano a sua tribo. Eventualmente, a Azarr Kul e os seus fanáticos adoradores do dragão destruíram a última oposição a sua supremacia sobre as tribos de Wyrm Fumacento, massacrando com um ataque feroz os Goblins Lâminas Negras e as tribos aliadas a eles. Os sobreviventes aceitaram a soberania de Azarr Kul e foram absorvidos pelo seu emergente reino, que Azarr Kul nomeou Harg Kulkor, ou Terra do Dragão em comum.

Depois de uma longa temporada reconstruindo sua força, oferecendo propina para muitos dos monstros inteligentes na região, e consolidando o poder sobre as diferentes tribos que dominou, Azarr Kul finalmente focalizou sua atenção para as terras além das Montanhas Wyrm Fumacento. O que ele viu aguçou sua ambição por poder: nenhuma cidade ou vila dentro de centenas de quilômetros pôde construir um exército tão forte quanto o seu. O Alto Lorde Wyrm, título que agora ostentava, sonhou esculpir um império que se estendesse desde o Mar do Crepúsculo até as Planícies Douradas, e este foi o primeiro passo para esmagar as cidades humanas no Vale de Elsir.

O povo civilizado do Vale, muito acostumado a evitar as montanhas Wyrm Fumacento, desconhecia completamente a praga goblinóide marchando sobre eles. Generais de Azarr Kul enviaram à frente batedores bem treinados para silenciar qualquer um que pudesse alertar o Vale sobre sua aproximação.

Mas o Vale não era desprovido de seus próprios guerreiros habilidosos. Um grupo de aventureiros de Brindol estava explorando, em busca de tesouros, as ruínas na base das Montanhas Wyrm Fumacento, o antigo Forte Vraaf. Estes aventureiros, que seriam no seu devido tempo conhecidos como a Liga Diamante, foram alertados da presença do exército por nada mais que a pura força do acaso. No entanto, este simples grão de sorte, no final, provaria ser o salvador do Vale e de todo o seu povo.

Percebendo que eles simplesmente não poderiam lutar sozinhos contra a Mão Vermelha, os aventureiros começaram a atrasar o exército de qualquer maneira possível. Para esse fim, eles destruíram a antiga ponte dos anões na Garganta da Caveira. Então se dirigiram imediatamente para a cidade vizinha Travessia de Drellin, soando o alarme, e assim concedendo ao povo um tempo precioso para que pudessem se preparar.

Apesar das advertências da Liga Diamante terem salvado inúmeras vidas, e a destruição da ponte ter retardado o avanço do exército de Azzar Kul, nenhuma força no Vale pôde pará-lo. Embora algumas almas corajosas e bandos dispersos de soldados conseguissem atrasar o exército em uma passagem de rio ou montanha, a praga goblinóide avançou, trazendo com ela um inevitável castigo sangrento.

Durante este tempo, os aventureiros provaram-se corajosos defensores do povo. Eles lideraram incursões sobre as linhas de suprimentos da Mão Vermelha, conseguiram aliados nos assentamentos élficos e anões mais próximos, e arruinaram vários dos planos de guerra de Azarr Kul. Conforme o tempo passou, porém, ficou evidente que nem mesmo a Liga Diamante poderia impedir o avanço do exército da Mão Vermelha. Ele se espalhou através das planícies leste do Vale, justo às portas de Brindol.

Fazendeiros que mantinham suas terras nos arredores de Brindol, zelando por suas vidas, fugiram para dentro dos muros maciços da próspera cidade. A cidade fortificada fora o primeiro obstáculo real que o exército enfrentara. Eles cercaram a cidade e botaram a baixo suas defesas de forma implacável. Grande parte da população de Brindol caiu defendendo os muros, e inúmeros outros morreram de fome e peste devido às condições precárias da cidade lotada.

Parecia que o povo de Brindol e, por extensão, o povo do Vale, estava sem esperança. Então, como por milagre, o exército de Azzar Kul rompeu-se em decadência. Por nenhuma razão real, mas que o povo de Brindol chamou de divina, os líderes do exército de repente começaram a brigar entre si, disputando o controle das forças. O grande exército se fragmentou, com grande parte das suas forças simplesmente voltando para as montanhas Wyrm Fumacento.

Em resposta, as forças que tinham se reunido para a defesa da Vale passaram rapidamente para a ofensiva. Desarticulados e cercados, os goblinóides foram perseguidos, isolados, e esmagados. As forças da Mão Vermelha deixaram de existir. Pouco tempo depois, os aventureiros reapareceram ostentando para todos o corpo inerte de Azarr Kul. Eles tinham contornado todo o exército principal, se aventurado por todo o caminho até o Santuário de Tiamat no coração das Montanhas Wyrm Fumacento, e enfrentado diretamente o próprio Azzar Kul.

Com o carismático líder da Mão Vermelha morto, as várias facções e tribos que formavam a Kulkor Zhul começaram a lutar entre si pela supremacia e acabaram colhendo a própria ruína. Caçando o membro mais poderoso das forças remanescentes de Azzar Kul, a Liga Diamante derrotou Tyrgarun, o dragão azul, o terceiro dragão morto pela liga em meses.

Mão Vermelha

Escalas da Guerra Galahan